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Brasil Saúde mental

Pandemia faz Brasil liderar casos de depressão e ansiedade no mundo

De acordo com a pesquisa, o Brasil é o país que apresenta mais casos de ansiedade (63%) e depressão (59%).

18/03/2021 13h39 Atualizada há 1 mês
Por: Pablo Carvalho Fonte: Agência Senado
Pandemia faz Brasil liderar casos de depressão e ansiedade no mundo

Uma recente pesquisa acendeu o sinal de alerta a respeito de um tema que já tem sido bastante comentado nos últimos meses: a saúde mental. De acordo com dados colhidos pela pela Universidade de São Paulo (USP), o Brasil lidera uma lista de 11 países com mais casos de depressão e ansiedade durante a pandemia do novo coronavírus.

De acordo com a pesquisa, o Brasil é o país que apresenta mais casos de ansiedade (63%) e depressão (59%); em segundo lugar ficou a Irlanda, com 61% das pessoas com ansiedade e 57% com depressão, e em terceiro aparecem os Estados Unidos, com 60% e 55%, respectivamente.

O estudo só comprava, em números, o que muita gente já suspeitava: que o isolamento social pode afetar as pessoas – com especial atenção, segundo os dados, para mulheres, jovens, pessoas que já possuem alguma condição mental e, claro, quem perdeu o emprego.  “Nós concluímos que a pandemia de Covid-19 tem se mostrado um evento traumático para muitas pessoas, levando aumento exponencial de sentimento de medo e estresse”, disse Ricardo Uvinha, professor de lazer e turismo da USP.

Como a pandemia de Covid-19 não tem previsão ainda para acabar de vez – e o vai e vem das escalas de mobilidade ainda deve sofrer diversas alterações ao longo de 2021 -, conversamos com um especialista em saúde mental para entender o que pode ser feito na hora de proteger o cérebro desse momento. De acordo com Kleber Marinho, psicólogo analítico e supervisor clínico responsável pela Clínica PPI (Psicologia e Psiquiatria Integradas) em São Paulo, esse aumento nos casos está sendo sentido no atendimento clínico de forma bastante impactante.

Os atendimentos não pararam um dia sequer, seguindo online na maioria das vezes”, conta ele. Com mais de 20 anos de experiência no tema de atendimentos severos, o médico ressalta que percebeu também um agravamento e uma piora em quadros que estavam estáveis até o eclodir da pandemia.

O dado mais assustador trazido pelo psicólogo é de que, em sua própria clínica, o aumento foi de cerca de 40% nos casos: “Nos tempos atuais, pensar na ideia do medo e estresse como companhia assemelha-se a experiência de viver dentro de um filme de terror ou distópico”, explica ele. “Na verdade, quase nunca pensamos no medo ou estresse como um fenômeno ou condição positiva, sobretudo em meio a uma pandemia. Mas o fato é que sentir e ter medo ou estresse são defesas orgânicas que podem nos salvar ou prejudicar e levar ao adoecimento. Tal como um medicamento e quase todas as coisas na vida, dependendo da dose tomada ou da situação, a medida pode ser curadora ou mortal”, diz.

Como medo e estresse agem

O psicólogo explica que as reações radicais – de um lado ou do outro – podem desencadear processos mentais não tão saudáveis. “Poderíamos resgatar o conceito da ‘justa medida’ de Aristóteles, que propunha ‘as virtudes’ como caminho do meio, sendo elas o equilíbrio entre a falta e o excesso. Aquele que desdenha os efeitos da pandemia, sentindo-se indelével, destemido e corajoso pode na realidade estar imbuído de um sentimento de onipotência vivendo uma condição de inflação egoica e, por assim dizer tornando-se uma frágil presa ao inimigo invisível de nome Covid-19”, diz ele.

“Por outro lado, aquele que fica em casa, em estado de alerta e paranoico, com a cabeça a todo vapor ouvindo os noticiários e estatísticas de letalidade, deixando a fantasia o levar ao esgotamento, tem boa chance de adoecer e somatizar”, explica.

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