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Bolsonaro atribui problemas no auxílio a "golpe" e "erros" de trabalhadores

De acordo com Bolsonaro, não existe uma falha geral que esteja prejudicando os beneficiários.

13/05/2020 17h33
Por: Pablo Carvalho Fonte: Redação Oeiras em Foco

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse hoje que não há falha do governo em relação à operação para pagar o auxílio emergencial de R$ 600 para trabalhadores sem carteira assinada. Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, o presidente afirmou que "muita gente deu golpe" e que "não existe falha nossa", mas sim "erro do próprio interessado".

Desde o lançamento do site e do aplicativo para solicitar o auxílio emergencial, em 7 de abril, muitos trabalhadores têm reclamado de falhas técnicas no acesso, negativas injustificadas, erros na avaliação dos critérios, além de filas nas agências da Caixa para tirar dúvidas ou sacar o dinheiro. Também houve mudança de calendário e atraso no pagamento da segunda parcela, ainda sem data definida.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, disse nesta semana que 50 milhões de brasileiros já receberam a primeira parcela dos R$ 600, e que 17 milhões de pedidos ainda estão em análise.

'Erro do próprio interessado'

De acordo com Bolsonaro, não existe uma falha geral que esteja prejudicando os beneficiários. A fila de análise, segundo ele, é prevista pelo próprio programa.

"Tem erro também? Erro do próprio interessado. Não existe falha nossa. Entrou [no sistema], é um programa de inteligência artificial. Daí vai para o canto, é manualmente. O pessoal da Caixa está trabalhando de segunda a sábado porque é caso a caso".

Presidente Jair Bolsonaro

Questionado sobre a demora do governo para dar uma resposta a esses pedidos, Bolsonaro afirmou que muitas pessoas tentaram dar "golpe" para receber o auxílio sem ter direito.

"Tem sete milhões [de pedidos] em análise. Muita gente que deu golpe, tem gente que usou protocolo do filho duas vezes, dois irmãos, tem um monte de coisa. É caso a caso. Mas ninguém fala dos 40 milhões que receberam. Vamos falar dos 40 milhões. O restante está na malha fina, eu lamento".

Apesar de Bolsonaro ter mencionado 7 milhões de pedidos em análise, Guimarães informou um número bem maior, de 17 milhões.

O presidente afirmou também que não pode simplesmente liberar o pagamento a todos os interessados, sem a devida análise, para não ser responsabilizado criminalmente.

"Não posso mandar pagar porque daí vou ser incurso em algum tipo crime, daí acabou minha vida, não vou nem perder o mandato, vou para a cadeia", disse.

Militares que receberam são 'jovens do serviço obrigatório'

Bolsonaro também falou que os militares que receberam o auxílio de R$ 600 são "jovens que prestam o serviço militar obrigatório". Segundo ele, quem recebeu o benefício de forma indevida será punido.

O governo informou que 73,2 mil militares ativos, inativos, de carreira, temporários, pensionistas, dependentes e anistiados receberam o auxílio, destinado a trabalhadores informais. O Ministério da Defesa disse que as Forças Armadas analisam caso a caso a situação de militares que receberam o auxílio emergencial.

Presidente da Caixa admitiu problema no aplicativo

Em entrevista no dia 1º de maio, Guimarães, reconheceu que o aplicativo Caixa Tem, usado para fazer a movimentação do dinheiro, apresentava problemas, e disse que o banco estava trabalhando para resolvê-los.

Ele afirmou, porém, que parte dos problemas relatados ocorria por dificuldades dos próprios beneficiários em usar o app, por "falta de conhecimento".

"O que a gente também vê é que muitas vezes há uma dificuldade [dos usuários] de entendimento do próprio aplicativo. Porque, vamos lembrar, 30 milhões de brasileiros não tinham conta. Eu não estou dizendo que não tem problema, tem problema. Ponto. Tem problema. Claramente. O vice-presidente de Tecnologia [da Caixa] está 100% focado nisso. Tem problema. E tem que melhorar. Mas além de ter problema, e ter que melhorar, tem uma questão muito importante de falta de conhecimento [do usuário]", afirmou.

Benefícios rejeitados

Ao longo das últimas semanas, diversas pessoas relataram problemas ou tiveram o auxílio negado, mesmo preenchendo os critérios para receber.

Desempregados ficaram sem o auxílio por causa de um banco de dados do governo federal, desatualizado, que informava que eles ainda trabalhavam com carteira assinada ou ocupavam cargo público. Quem tem emprego com carteira assinada não pode receber o benefício.

Uma universitária teve o pedido rejeitado por constar em sua carteira de trabalho que estava empregada como "presidente da República".

Candidatos a vereador em 2016 também tiveram o auxílio negado, mesmo sem ter sido eleitos e estando atualmente desempregados.

Mães que erraram o primeiro cadastro do auxílio e tentaram refazer o pedido receberam mensagem de erro, dizendo que os CPFs dos filhos já estavam vinculados a uma outra família. As chefes de família têm direito a uma cota dupla do auxílio, ou seja, R$ 1.200. Por medo de não receber nada, muitas acabaram se recadastrando sem dizer que eram chefes de família, para tentar receber pelo menos os R$ 600.

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