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Descaso

Há anos com obra em atraso, chuva destrói estátua do Monumento 24 de Janeiro em Oeiras

Caso aconteceu nesta sexta-feira (31), após uma chuva de vento em Oeriras.

01/02/2020 18h14Atualizado há 4 semanas
Por: Pablo Carvalho
Fonte: Redação Oeiras em Foco
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(Foto: Reprodução)
(Foto: Reprodução)

A chuva que caiu sobre a cidade de Oeiras nesta sexta-feira (31) acabou por destruir a estátua de gesso do Visconde da Parnaíba, grande líder no movimento de adesão do Piauí ao Grito do Ipiranga. Mas para a população da cidade, o mais grave não é ter quebrado a estátua de gesso - afinal, ela era apenas um molde do que deveria ser feito - e sim a falta de conclusão de uma importante obra iniciada ainda em 2014.

O promotor de Justiça aposentado, Carlos Rubem Campos Reis, explica que a obra foi iniciada na gestão de Wilson Martins no Governo do Estado. "O então governador conseguiu uma área de terra para construir o Monumento 24 de Janeiro, que é uma data que faz parte do calendário cívico do Piauí, foi a data de adesão do Estado ao Grito do Ipiranga, no processo de Independência do Brasil", lembra.

A intenção era construir um monumento nos moldes do monumento da Batalha do Jenipapo (de Campo Maior). O governo chegou a contratar uma empresa por meio da Secretaria das Cidades. "Mas por causa da proximidade com as eleições, a obra foi inaugurada antes da conclusão, no dia 30 de abril de 2014", completa o promotor aposentado.

Depois dessa inauguração, nada mais foi feito na obra. "Outros governos vieram, mas não fizeram nada. Não faltam pedidos para a retomada da obra. Antes, o governo alegava dificuldades com a empresa que tinha sido contratada, mas agora o secretário da Cultura, Fábio Novo, disse que já houve o distrato com a empresa e que uma nova licitação foi feita. O problema é que ele não deu detalhes sobre a nova empresa, quanto vai custar e quando começam as obras", argumenta.

Carlos Rubem conta que o escultor contratado para fazer a imagem do Visconde da Parnaíba concluiu apenas o molde em gesso, que seria usado para fazer a peça em bronze. Mas a peça nunca foi plasmada por falta de pagamento. "Por causa disso, ficou essa estátua provisória, que, com o passar do tempo, foi se depreciando. Ontem teve a chuva e a estátua caiu. É muito menosprezo. A população toda está indignada. É um prejuízo moral, econômico e financeiro", lamenta.

Monumento 24 de Janeiro

Atualmente, o local tem uma sala ampla, com fotografias estampadas nas paredes que, segundo o promotor, estão sendo depreciadas porque a obra não foi concluída e não existe uma administração.

"As imagens revelam a adesão do Piauí no processo da Independência, mas está tudo parado, sendo destruído pelos vazamentos. Lá tem uma sala ampla com essas fotos, tem um receptivo com lanchonete que nunca funcionou ao público e tem um espaço que seria o obelisco para manifestações culturais. O Monumento fica às margens da PI-263 e é o retrato do descaso", conclui o Carlos Rubem.

O que diz o Conselho Estadual da Cultura

O presidente do Conselho Estadual da Cultura, professor Cineas Santos, informou que vai discutir a questão na próxima sessão, marcada para o dia 8 de fevereiro. "Não sei se o Visconde é digno ou não de um memorial, mas investiu-se naquela obra dinheiro público e isso precisa ser, no mínimo, esclarecido. No meu entender, o memorial precisa ser concluído para que tenha alguma utilidade. A questão será levada por mim ao Conselho Estadual de Cultura na próxima sessão", declara.

O que diz o Instituto Histórico de Oeiras

O presidente do Instituto Histórico de Oeiras, professor Júnior Viana, lamenta que o espaço esteja sem aproveitamento. "Isso impacta de forma negativa na sociedade. Aquele bem poderia servir para elevar a autoestima cultural da cidade, mas quando você se depara com uma obra daquele poste inacabada termina em descontentamento", afirma.

Júnior Viana enfatiza que o Instituto já provocou o Governo do Estado para que haja uma conclusão, mas ainda não tem uma previsão de quando a obra será reiniciada. "Seria um lugar para contar a história do município. É, também, uma página importante da história da emancipação efetiva de Portugal", finaliza.

O que diz a  Secretaria da Cultura do Estado

A assessoria da Secretaria da Cultura do Estado ainda não retornou nosso pedido de nota.

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